{"id":8682,"date":"2023-07-22T11:40:36","date_gmt":"2023-07-22T14:40:36","guid":{"rendered":"http:\/\/patrimonio.art.br\/opocedoc\/?post_type=tnc_col_3853_item&#038;p=8682"},"modified":"2023-11-16T08:43:47","modified_gmt":"2023-11-16T11:43:47","slug":"discurso-e-in-exclusao-representacoes-da-crianca-indigena-sul-mato-grossense-em-situacao-de-violencia","status":"publish","type":"tnc_col_3853_item","link":"https:\/\/patrimonio.art.br\/opocedoc\/teses-dissertacoes-e-outros-trabalhos-monograficos\/discurso-e-in-exclusao-representacoes-da-crianca-indigena-sul-mato-grossense-em-situacao-de-violencia\/","title":{"rendered":"Discurso e (in\/ex)clus\u00e3o: representa\u00e7\u00f5es da crian\u00e7a ind\u00edgena sul-mato-grossense em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Este trabalho tem por objetivo problematizar discursos jornal\u00edsticos, (re)produzidos no ciberespa\u00e7o, sobre as crian\u00e7as ind\u00edgenas do estado do Mato Grosso do Sul, v\u00edtimas de viol\u00eancia, a partir do exame das rela\u00e7\u00f5es de saber\/poder que atravessam esses espa\u00e7os, as quais constroem estere\u00f3tipos e excluem o outro. Escamotear o outro, quando diferente de si, \u00e9 uma pr\u00e1tica, embora d\u00e9mod\u00e9, habitual desde os prim\u00f3rdios da humanidade; no entanto, se outrora a exclus\u00e3o foi expl\u00edcita, nos tempos modernos ela \u00e9 sutil, \u00e9 discursiva. Ao pensarmos nos sistemas socioculturais, ideol\u00f3gicos e hist\u00f3ricos que produzem efeitos no desenvolvimento da identidade social, temos que fazer emergirem efeitos e incid\u00eancias dos regimes de verdade sobre a subjetiva\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a ind\u00edgena, mediante reflex\u00e3o e desenvolvimento de novos olhares sobre a forma de conceber e tratar a inf\u00e2ncia desses sujeitos. Diante do exposto, o cerne do questionamento deste estudo consiste em perscrutar as representa\u00e7\u00f5es da crian\u00e7a ind\u00edgena em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia, geradas a partir do discurso hegem\u00f4nico que transita na materialidade do ciberespa\u00e7o. Para tal, objetivamos problematizar rela\u00e7\u00f5es de poder que perpassam as pr\u00e1ticas discursivas, identificar forma\u00e7\u00f5es discursivas, interdiscursos e mem\u00f3ria discursiva; identificar efeitos de sentido produzidos nos dizeres dos enunciadores, analisando as formas pelas quais a materialidade lingu\u00edstica faz irromper representa\u00e7\u00f5es estereotipadas e marcas da exclus\u00e3o social. Partimos do pensamento foucaultiano de que as crian\u00e7as est\u00e3o inseridas no grupo composto por indiv\u00edduos privados de poder e temos como hip\u00f3tese de trabalho que a crian\u00e7a ind\u00edgena \u00e9 concebida como sujeito marginalizado e vilipendiado, pois ela se encontra \u00e0 margem da margem social, ora por ser crian\u00e7a, ora por ser gerada dentro de um grupo minorit\u00e1rio, moldada a partir de exclus\u00f5es hist\u00f3ricas. A pesquisa, mediada por um enfoque transdisciplinar e orientada pelo m\u00e9todo arqueogeneal\u00f3gico foucaultiano (FOUCAULT, 1972, 1988, 1997, 1999, 2007), ancora-se na An\u00e1lise do Discurso de linha francesa (P\u00caCHEUX, 1969, 1991, 1999, 2012). Para entrecruzar os dados da an\u00e1lise, utilizamos autores das teorias discursiva-desconstrutivista e culturalista, como Coracini (2000, 2007, 2010, 2013), Orlandi (1983, 1987, 2005, 2008), Guerra (2006, 2008, 2010, 2013), Nolasco (2009), Limberti (2009, 2012), Agaben (2010), Bauman (2005), Castells (1999), Santaella (2002), L\u00e9vy (1993, 2001), entre outros. O c\u00f3rpus foi constitu\u00eddo por seis excertos advindos de diferentes sites, publicados entre os anos de 2007 e 2013. O crit\u00e9rio de sele\u00e7\u00e3o utilizado consistiu na prioriza\u00e7\u00e3o de materiais que discorressem de forma mais detalhada sobre viol\u00eancia contra crian\u00e7as ind\u00edgenas, tomando-a como um acontecimento discursivo. No primeiro cap\u00edtulo, intitulado &#8220;Tecendo o fio te\u00f3rico para coser a reflex\u00e3o e cerzir os sentidos&#8221;, trazemos o arcabou\u00e7o te\u00f3rico utilizado em nossa pesquisa. No cap\u00edtulo seguinte \u2013 \u201cInf\u00e2ncia ind\u00edgena vilipendiada, inf\u00e2ncia ind\u00edgena violentada&#8221; \u2013, mobilizamos as condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o que ancoraram a irrup\u00e7\u00e3o dos excertos analisados, a partir das concep\u00e7\u00f5es de inf\u00e2ncia e de viol\u00eancia, perpassadas pela compreens\u00e3o do ciberespa\u00e7o, no tocante \u00e0 comunidade ind\u00edgena sul-mato-grossense. No \u00faltimo cap\u00edtulo \u2013 &#8220;Da inf\u00e2ncia \u00e0 viol\u00eancia, da viol\u00eancia \u00e0 inf\u00e2ncia: processos de contradi\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o&#8221; \u2013, problematizamos a materialidade lingu\u00edstica, refor\u00e7ada na virtualidade, sobre as crian\u00e7as ind\u00edgenas v\u00edtimas de viol\u00eancia. Encontramos representa\u00e7\u00f5es da crian\u00e7a ind\u00edgena pautadas em vis\u00f5es estereotipadas, marcadas, sobretudo, por posicionamentos contradit\u00f3rios. Os excertos ora mobilizam representa\u00e7\u00f5es da crian\u00e7a como um sujeito vitimizado pelos pr\u00f3prios respons\u00e1veis, ou pela pr\u00f3pria comunidade ind\u00edgena; ora indicam representa\u00e7\u00f5es da crian\u00e7a respons\u00e1vel e culpada pelo fen\u00f4meno da viol\u00eancia que a afeta. A despeito das representa\u00e7\u00f5es contradit\u00f3rias, o que ora salta aos olhos, ora \u00e9 silenciado s\u00e3o marcas de exclus\u00e3o que a crian\u00e7a e a comunidade ind\u00edgena carregam: inferiores, incapazes e anormais. Diante da problem\u00e1tica discutida, espera-se que as reflex\u00f5es constru\u00eddas possam fomentar outros estudos transdisciplinares sobre os processos identit\u00e1rios dos ind\u00edgenas e sobre a sua exclus\u00e3o social, cujos mecanismos podem funcionar como dispositivos para produzir um entendimento multicultural das crian\u00e7as e da sociedade.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":5007,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","blocksy_meta":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/patrimonio.art.br\/opocedoc\/wp-json\/wp\/v2\/tnc_col_3853_item\/8682"}],"collection":[{"href":"https:\/\/patrimonio.art.br\/opocedoc\/wp-json\/wp\/v2\/tnc_col_3853_item"}],"about":[{"href":"https:\/\/patrimonio.art.br\/opocedoc\/wp-json\/wp\/v2\/types\/tnc_col_3853_item"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/patrimonio.art.br\/opocedoc\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8682"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/patrimonio.art.br\/opocedoc\/wp-json\/wp\/v2\/tnc_col_3853_item\/8682\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8718,"href":"https:\/\/patrimonio.art.br\/opocedoc\/wp-json\/wp\/v2\/tnc_col_3853_item\/8682\/revisions\/8718"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/patrimonio.art.br\/opocedoc\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5007"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/patrimonio.art.br\/opocedoc\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8682"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}