{"id":7071,"date":"2023-06-21T19:08:51","date_gmt":"2023-06-21T22:08:51","guid":{"rendered":"http:\/\/patrimonio.art.br\/opocedoc\/?post_type=tnc_col_3853_item&#038;p=7071"},"modified":"2023-11-16T08:43:53","modified_gmt":"2023-11-16T11:43:53","slug":"a-guerra-dos-18-anos-repertorios-para-existir-e-resistir-a-ditadura-e-a-outros-fins-de-mundo-uma-perspectiva-do-povo-indigena-xakriaba-e-suas-cosmopoliticas-de-memoria","status":"publish","type":"tnc_col_3853_item","link":"https:\/\/patrimonio.art.br\/opocedoc\/teses-dissertacoes-e-outros-trabalhos-monograficos\/a-guerra-dos-18-anos-repertorios-para-existir-e-resistir-a-ditadura-e-a-outros-fins-de-mundo-uma-perspectiva-do-povo-indigena-xakriaba-e-suas-cosmopoliticas-de-memoria\/","title":{"rendered":"A \u201cGuerra dos 18 anos\u201d: repert\u00f3rios para existir e resistir \u00e0 ditadura e a outros fins de mundo: uma perspectiva do povo ind\u00edgena Xakriab\u00e1 e suas cosmopol\u00edticas de mem\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>Essa tese \u00e9 um estudo da ditadura militar (1964-1988), a partir do ponto de vista do povo ind\u00edgena Xakriab\u00e1, cujo territ\u00f3rio situa-se no noroeste do estado de Minas Gerais. Em termos metodol\u00f3gicos, a pesquisa foi produzida a partir da articula\u00e7\u00e3o entre os aportes conceituais da etno-hist\u00f3ria, da etnografia e da \u201chistoriografia em vi\u00e9s testemunhal\u201d, colocando-se em di\u00e1logo com contribui\u00e7\u00f5es do campo historiogr\u00e1fico e antropol\u00f3gico e das epistemologias ind\u00edgenas. Buscou-se o afastamento de abordagens te\u00f3ricas que interpretam as experi\u00eancias de contato entre povos ind\u00edgenas e mundos n\u00e3o-ind\u00edgenas por meio da ideia de \u201cmesti\u00e7agem como hibridismo\u201d, refletindo-se sobre as possibilidades de agenciamentos ind\u00edgenas que n\u00e3o impliquem o que, em geral, se entende por \u201csincretismo\u201d. Sendo assim, foram privilegiadas as teorias que analisam processos que podem ser entendidos como pr\u00e1ticas de contra ou anti-mesti\u00e7agem, enfatizando-se os conceitos nativos Xakriab\u00e1 e a maneira pela qual o pr\u00f3prio povo ind\u00edgena pensa e constr\u00f3i significado para suas experi\u00eancias. Nesse sentido, a ditadura, do ponto de vista Xakriab\u00e1 \u2013 concebida como uma \u201cguerra\u201d \u2013 que possui temporalidades pr\u00f3prias (o \u201ctempo da luta pela terra\u201d ou da \u201cguerra dos 18 anos\u201d), n\u00e3o pode ser apreendida, simplesmente, pela perspectiva da \u201cresist\u00eancia\u201d. Embora resistir \u00e0s intrus\u00f5es do Estado seja um aspecto relevante nas experi\u00eancias vivenciadas, as formas do povo Xakriab\u00e1 compreender e vivenciar a temporalidade da ditadura evidenciam estrat\u00e9gias de exist\u00eancia ou pr\u00e1ticas de se \u201cfazer-mundos\u201d espec\u00edficas, sustentadas por sua cosmovis\u00e3o. Essas estrat\u00e9gias e pr\u00e1ticas, geralmente \u00e0 margem das escritas acad\u00eamicas mais presentes na historiografia da ditadura, conformam uma opera\u00e7\u00e3o historiogr\u00e1fica nativa, de base contramesti\u00e7a e contracolonial. A tese tamb\u00e9m se dedica a compreender como os Xakriab\u00e1 contempor\u00e2neos se relacionam com esses passados e o que produzem a partir deles no presente. Na rela\u00e7\u00e3o com esses passados, destacam-se complexos processos de \u201cretomada da cultura\u201d ou de \u201creativa\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria\u201d, que n\u00e3o se at\u00e9m unicamente a uma perspectiva de retorno ao passado ou da tradi\u00e7\u00e3o. Embora os ensinamentos dos \u201cantigos\u201d sejam decisivos para esses agenciamentos, essas pr\u00e1ticas revelam projetos e possibilidades de devires ind\u00edgenas, implicando formas de se \u201cfazer-pessoas Xakriab\u00e1\u201d e curar o territ\u00f3rio, que incluem humanos, n\u00e3o-humanos, Cerrado, \u201cantigos\u201d, Xakriab\u00e1 contempor\u00e2neos e \u201cos que ainda est\u00e3o por vir\u201d.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":5007,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","blocksy_meta":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/patrimonio.art.br\/opocedoc\/wp-json\/wp\/v2\/tnc_col_3853_item\/7071"}],"collection":[{"href":"https:\/\/patrimonio.art.br\/opocedoc\/wp-json\/wp\/v2\/tnc_col_3853_item"}],"about":[{"href":"https:\/\/patrimonio.art.br\/opocedoc\/wp-json\/wp\/v2\/types\/tnc_col_3853_item"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/patrimonio.art.br\/opocedoc\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7071"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/patrimonio.art.br\/opocedoc\/wp-json\/wp\/v2\/tnc_col_3853_item\/7071\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7119,"href":"https:\/\/patrimonio.art.br\/opocedoc\/wp-json\/wp\/v2\/tnc_col_3853_item\/7071\/revisions\/7119"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/patrimonio.art.br\/opocedoc\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5007"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/patrimonio.art.br\/opocedoc\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7071"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}