Título
Comunicadoras indígenas e a de(s)colonização das imagens
Assunto/palavras-chave
Estereótipos (Psicologia social) | Mulheres indígenas - Brasil - Comunicação | Representações sociais
Descrição
A partir de uma mirada descolonial, investigo quais estratégias midiáticocomunicacionais três comunicadoras indígenas brasileiras utilizam para propagar as suas ideias, que imagens elas ativam, e como essas narrativas ajudam a tensionar o imaginário social dominante. Busco, por meio da Catografia (abordagem metodológica elaborada durante a pesquisa de doutoramento inspirada na prática de catadores e coletores negros e indígenas, ribeirinhos e quilombolas), responder como povos que foram destituídos de humanidade e transformados em mercadoria de olhares durante a escravização politizam o olhar para enfrentar as imagens de controle utilizadas para determinar o lugar dos sujeitos racializados na sociedade. A partir de conceitos como concentricidade, círculos comunicacionais, arco comunicacional, reflorestarmentes, de(s)colonização das imagens e imagens de liberdade - elaborados em confluência com os sentidos construídos pelas comunicadoras indígenas Graça Graúna (2012, 2013, 2020), Aline Rochedo Pachamama (2015, 2018, 2021) e Márcia Kambeba (2013, 2020), entre outros autores -, analiso como indivíduos oriundos de grupos sociais colonizados se apropriam das mídias para responder às violações decorrentes do racismo estrutural através da propagação de imagens que visam liberar o nosso olhar da dependência de modelos, enquadramentos e categorias do pensamento moderno colonial (que se supõe universal, por não se racializar). Aponto que, ao reivindicar a liberdade de escolher como querem ser vistos, os sujeitos racializados buscam se autodefinir a partir de um ponto de vista que difere da perspectiva adotada pela hegemonia racial para determinar, simbolicamente, os lugares sociais subalternizados destinados a negros e indígenas. Por meio de suas palavras-flecha, comunicadores indígenas têm buscado atingir diferentes público-alvo na tentativa de desconstruir as imagens racistas e imperialistas propagadas a respeito dos povos originários, retratados pela mídia de massa como indivíduos que devem ser mantidos sob tutela e vigilância do Estado Nacional. Neste exercício, tensionam a visada da racionalidade moderna ocidental, apontando os seus limites e buscando ir além de suas fronteiras a partir da proposição de outras imagens além das disseminadas pelos meios de informação social a serviço dos oligopólios midiáticos.
Contribuidor/colaborador | Orientador
Contribuidor/colaborador | Membro de banca
GOMES DE LA TORRE, Alberto Efendy Maldonado | RODRIGUES, Denise Carvalho dos Santos | SANT’ANNA, Fernanda Vieira de | VELOSO, Maria do Socorro Furtado
Data
valor lógico
1 de janeiro de 2022
valor textual (criação)
2022
Tipo do recurso
Formato
páginas
289

