Título
A “Guerra dos 18 anos”: repertórios para existir e resistir à ditadura e a outros fins de mundo: uma perspectiva do povo indígena Xakriabá e suas cosmopolíticas de memória
Assunto/palavras-chave
Brasil - História - 1964-1985 | Indígenas da América do Sul - Minas Gerais - Relações com o governo | Indígenas Xakriabá | Memória coletiva
Descrição
Essa tese é um estudo da ditadura militar (1964-1988), a partir do ponto de vista do povo indígena Xakriabá, cujo território situa-se no noroeste do estado de Minas Gerais. Em termos metodológicos, a pesquisa foi produzida a partir da articulação entre os aportes conceituais da etno-história, da etnografia e da “historiografia em viés testemunhal”, colocando-se em diálogo com contribuições do campo historiográfico e antropológico e das epistemologias indígenas. Buscou-se o afastamento de abordagens teóricas que interpretam as experiências de contato entre povos indígenas e mundos não-indígenas por meio da ideia de “mestiçagem como hibridismo”, refletindo-se sobre as possibilidades de agenciamentos indígenas que não impliquem o que, em geral, se entende por “sincretismo”. Sendo assim, foram privilegiadas as teorias que analisam processos que podem ser entendidos como práticas de contra ou anti-mestiçagem, enfatizando-se os conceitos nativos Xakriabá e a maneira pela qual o próprio povo indígena pensa e constrói significado para suas experiências. Nesse sentido, a ditadura, do ponto de vista Xakriabá – concebida como uma “guerra” – que possui temporalidades próprias (o “tempo da luta pela terra” ou da “guerra dos 18 anos”), não pode ser apreendida, simplesmente, pela perspectiva da “resistência”. Embora resistir às intrusões do Estado seja um aspecto relevante nas experiências vivenciadas, as formas do povo Xakriabá compreender e vivenciar a temporalidade da ditadura evidenciam estratégias de existência ou práticas de se “fazer-mundos” específicas, sustentadas por sua cosmovisão. Essas estratégias e práticas, geralmente à margem das escritas acadêmicas mais presentes na historiografia da ditadura, conformam uma operação historiográfica nativa, de base contramestiça e contracolonial. A tese também se dedica a compreender como os Xakriabá contemporâneos se relacionam com esses passados e o que produzem a partir deles no presente. Na relação com esses passados, destacam-se complexos processos de “retomada da cultura” ou de “reativação da memória”, que não se atém unicamente a uma perspectiva de retorno ao passado ou da tradição. Embora os ensinamentos dos “antigos” sejam decisivos para esses agenciamentos, essas práticas revelam projetos e possibilidades de devires indígenas, implicando formas de se “fazer-pessoas Xakriabá” e curar o território, que incluem humanos, não-humanos, Cerrado, “antigos”, Xakriabá contemporâneos e “os que ainda estão por vir”.
Contribuidor/colaborador | Orientador
Contribuidor/colaborador | Membro de banca
BARBOSA NETO, Edgar Rodrigues | BRITO, Edson Machado de | MOTTA, Rodrigo Patto Sá | PORTELA, Cristiane de Assis
Data
valor lógico
1 de janeiro de 2020
valor textual (criação)
2020
Tipo do recurso
Formato
páginas
332
Identificador do recurso
Idioma
Gerenciamento de Direitos Autorais
Creative Commons > Atribuição | Não Comercial | Sem Derivações | CC BY-NC-ND

